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Como Alber Elbaz tornou a Lanvin uma das grifes de luxo mais desejadas da última década

setembro 16, 2014

Timidez e carisma: características marcantes do estilista marroquino (Foto: Tiago Molinos)Timidez e carisma: características marcantes do estilista marroquino (Foto: Tiago Molinos)

A bordo de um vestido longo e um casaco imponente, uma mulher elegante segura os braços da filha, vestida à sua imagem e semelhança, com chapéu e tudo. A cena poética poderia ilustrar algum livro da escritora Jane Austen, autora de Razão e Sensibilidade (1811) e Emma (1815), ou até mesmo o pôster de um filme sobre maternidade. Mas a imagem é o símbolo da Lanvin, maison mais antiga da França, que este ano completa 125 anos.

Sem exagero no logo nem iniciais rebuscadas, como é a regra das vizinhas de rua na sofisticada Faubourg-Saint Honoré, em Paris, o desenho diz muito sobre a marca lançada por Madame Jeanne Lanvin em 1889 e comandada, desde 2001, pelo marroquino Alber Elbaz.

Dentro do universo de sonhos que é o de uma marca premium de luxo, a Lanvin passou a ocupar, sob a orientação desse singular estilista de 53 anos, uma posição inédita, quase independente, sem a preocupação de seguir marés de tendências. Nem de ditar alguma – apesar de, invariavelmente, acabar lançando-as pelo caminho, como foi com os colares statement em 2009 e os vestidos metalizados em 2013.

Mesmo com mais de um século de vida, nunca fez parte de um grande conglomerado de luxo. Tem como marca registrada não uma bolsa específica ou uma peça extravagante, e sim pequenos e simples laços de gorgurão, daqueles que se usam em caixas de presente.

Sua própria fundação já é peculiar: Jeanne abriu o negócio como uma loja de chapéus, depois acrescentou uma linha de roupas infantis (dedicadas à filha, Marguerite, a menina que ilustra o logotipo) e só em 1909 entrou para a Câmara Sindical de Alta-Costura, com uma coleção para mulheres. A grife poderia ser considerada cool, não fosse esta uma palavra riscada do dicionário de Alber Elbaz. “Odeio esse termo”, diz ele. “Tudo tem que ser cool hoje. Isso não significa nada.”

Cenas de bastidores: o estilista e sua equipe e modelo durante o fitting da coleção Pre-Spring 2015, em Nova York (Foto: Tiago Molinos)Cenas de bastidores: o estilista e sua equipe e modelo durante o fitting da coleção Pre-Spring 2015, em Nova York (Foto: Tiago Molinos)

Durante três dias, o estilista recebeu a Marie Claire Brasil em Nova York, com exclusividade, para o ensaio e o desfile da coleção Pre-Spring 2015, no Milk Studios, e uma entrevista no The Mercer Hotel, que é a segunda casa de Mr. Elbaz durante a temporada de moda. “Alber, por favor”, diz ele, me corrigindo, quando o chamo pelo sobrenome.

Foi através dessa pessoa incomum, da maneira de trabalhar ao modo de se vestir (seja qual for a ocasião, não abre mão da gravata-borboleta), que a Lanvin passou da condição de uma casa de moda em retração para a de uma das mais relevantes e desejadas marcas de luxo. Que fique claro: absolutamente tudo o que é lançado tem o aval dele, incluindo aí acessórios, perfumes, peças masculinas e, claro, os famosos vestidos de festa.

“Não tenho o tipo físico nem vivo o lifestyle de ‘alguém da moda’. Não emendo uma festa na outra. Não me promovo. Não é a minha”

“Adoro trabalhar em todos os processos”, afirma. Esse cuidado milimétrico, aliado a um enorme talento para o design – que havia ficado evidente em suas passagens pela Yves Saint Laurent e pela Guy Laroche –, fez com que Alber ganhasse carta branca para dar um ar mais fresco e moderno à Lanvin.

À MARGEM DE MODISMOS
Enfurnado em seu ateliê em Paris, desenhando seis coleções por ano, o criador teve uma ascensão rápida. Em 2005, ganhou o prêmio de estilista do ano do prestigiado Council of Fashion Designers of America (CFDA). Dois anos depois, foi eleito uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela revista “Time”, com perfil escrito pela atriz Natalie Portman, a quem veste em praticamente todas as premiações. Nele, Natalie diz: “Alber não atribui grande importância às roupas. Ele não acha que um vestido seu deva transformar uma mulher, e sim ela mesma”.

Esse approach, digamos, diferente em relação à moda é um dos segredos do êxito da grife. “Eu não sou uma ‘pessoa fashion’”, garante Alber. “Não tenho o tipo físico nem vivo o lifestyle de ‘alguém da moda’. Não emendo uma festa na outra. Não me promovo. Não é a minha. Acho que isso facilita a identificação das pessoas com minha personalidade e principalmente com meu trabalho.”

A partir do alto, em sentido horário: autorretrato de Elbaz, ensaio do desfile em Nova York, look da coleção inverno 2012, croqui feito pelo estilista, Elbaz e sua inseparável gravata-borboleta, perfume com o logotipo famoso e sapato com laço grande, marca registrada da Lanvin (Foto: Divulgação / Tiago Molinos)A partir do alto, em sentido horário: autorretrato de Elbaz, ensaio do desfile em Nova York, look da coleção inverno 2012, croqui feito pelo estilista, Elbaz e sua inseparável gravata-borboleta, perfume com o logotipo famoso e sapato com laço grande, marca registrada da Lanvin (Foto: Divulgação / Tiago Molinos)

Um trabalho, ele faz questão de frisar, totalmente à margem de modismos. De fato, não espere de Alber um vestido bandagem ou com decote vertiginoso. “Minha função é ajudar as mulheres a se sentirem bonitas. Não sei exatamente como realizo isso. Simplesmente acontece”, diz. “O que eu não faço é seguir tendências. Até por isso acho difícil me considerar um ‘designer de moda’, no sentido amplo do termo. O que está em voga não me interessa. Se há uma modinha acontecendo, na maior parte das vezes vou pelo caminho oposto. Até porque, na próxima estação, tudo muda. E gosto de pensar: ‘O que há além disso?’”.

Na Lanvin, há uma moda “clássica com um toque contemporâneo” (classic with a twist, em inglês), segundo o próprio. E isso se traduz em vestidos eternos, que podem ser usados hoje ou daqui a duas décadas. Que têm um acabamento primoroso, os melhores tecidos e o caimento ideal, seja qual for o tipo de corpo.

“O que eu não faço é seguir tendências. Até por isso acho difícil me considerar um ‘designer de moda’, no sentido amplo do termo. O que está em voga não me interessa”

Não por menos, é a marca escolhida por nove entre dez atrizes estilosas de Hollywood. Gente como Cate Blanchett, Juliane Moore, Diane Kruger e Meryl Streep (que usou um estonteante longo dourado ao receber seu Oscar, em 2012). Não é uma coincidência que as mulheres dessa lista tenham tipos físicos (e idades) tão diferentes. Há no mercado um ditado que diz que Alber consegue vestir, com a mesma elegância, das “mães às filhas”.

Foi essa característica que conquistou a empresária Natalie Klein, proprietária da NK Store, pioneira a trazer ao Brasil uma coleção de Alber Elbaz na grife. E logo a primeira assinada por ele, de Outono-Inverno 2002. “Minha paixão por moda começa pela Lanvin”, diz Natalie. “Fiquei atônita quando vi esse desfile: formas novas, cores inusitadas e peças altamente desejáveis. Fui ao showroom em Paris e encomendei a coleção para a NK. Da compra elegi meu primeiro Lanvin, um azul-marinho, de um ombro só, bordado no decote. Tenho até hoje.”

As modelagens superfemininas, sem excesso de grafismos ou intervenções, são outro destaque para Natalie. “Elas são atemporais e isso, hoje em dia, é um tesouro. Alber não cede a modismos nem corrompe a marca em nome de resultados comerciais. A Lanvin é a própria definição de ‘chique sem esforço’.”

Desde 2012, há também uma loja própria em São Paulo, no Shopping JK Iguatemi (a única na América Latina). Entre os best-sellers, além dos longos e cocktail dresses, peças mais informais, como camisas de seda, saias lápis, calças de alfaiataria e sapatilhas bailarina.

A partir da esq.: o famoso laço de gorgurão, Sugar Bag, o estilista no ateliê em Paris e croqui assinado por Elbaz (Foto: Divulgação / Tiago Molinos)A partir da esq.: o famoso laço de gorgurão, Sugar Bag, o estilista no ateliê em Paris e croqui assinado por Elbaz (Foto: Divulgação / Tiago Molinos)

PERSONA EXCÊNTRICA
No estúdio de criação, Alber desenvolveu um método só dele, sem regras tradicionais. Para começar, o designer não gosta de “temas”, nem de se inspirar em pessoas ou lugares. Também não costuma desenhar as peças antes de criá-las. “Não gosto de fórmulas. Meu processo varia muito. Diria que croquis são um ‘luxo’, pois nem sempre tenho tempo para eles”, afirma. “Mas às vezes tenho uma súbita vontade de desenhar, no meio da coleção, e passo três dias só fazendo isso.”

“Ele tem o maior coração do mundo, não faz o gênero big boss. Nunca o vi gritar”

Quem o acompanha em parte desse processo é a polonesa Roma Matuszewska, costureira da marca desde 2005 e espécie de braço direito durante algumas semanas de moda – ela faz ajustes no corpo das modelos e muda detalhes das peças em cima da hora. Sexagenária, com a pele muito branca, bochechas rosadas e forte sotaque, Roma é tão carismática quanto Alber e parece ter a completa confiança dele, que não sai do seu lado durante as provas.

No entanto, no ensaio do desfile Pre-Spring 2015 (coleção que chega às lojas entre o verão e o inverno), que acompanhei em Nova York, a costureira deixou o backstage algumas vezes em poucas horas. Na terceira vez que Alber não a encontrou, ficou visivelmente contrariado. Quando Roma chegou, o clima era tenso: os funcionários estavam nervosos, como se esperassem um grande piti. Alber, por sua vez, apenas respirou fundo e, com calma e elegância, disse: “Roma, toda vez que te procuro você não está aqui. Por favor, fique comigo”. E continuou o trabalho normalmente, para alívio de todos na sala.

“Não sou uma diva. Não sou temperamental. E odeio joguinhos”

“Ele tem o maior coração do mundo, não faz o gênero big boss”, disse Roma, um dia depois do episódio. “Nunca o vejo gritar ou dar escândalo, mesmo quando está estressado.” É uma imagem inversamente proporcional à ideia do estilista badalado, estrela, que tem o mundo aos seus pés.

“Fico bravo como todo mundo, claro”, diz Alber. “Mas é preciso haver motivo para isso. Não sou uma diva. Não sou temperamental. E odeio joguinhos.” Ele conta que pessoas muito difíceis e manipuladoras bloqueiam seu processo criativo – “Fico paranoico” –, por isso, se tem de optar entre gente complicada e supertalentosa ou doce e com um pouco menos de talento, sem dúvida escolhe a segunda opção.

A modelo americana Jamie Bochert, uma de suas musas e principais garotas-propagandas da Lanvin, faz coro às palavras de Roma: “Ele é um amor e sempre me deixa tirar uma soneca em sua sala quando fotografamos horas seguidas. Alber trabalha muito, é perfeccionista e workaholic – mas que grande criador, não é?”.

Jeanne Lanvin e a filha, em foto que inspirou o logotipo da marca (Foto: Divulgação)Jeanne Lanvin e a filha, em foto que inspirou o logotipo da marca (Foto: Divulgação)

CONEXÃO COM O BRASIL
Apesar da dedicação à marca, o designer garante que, a despeito do que se diz no mercado, adora sair de férias e faz questão de tirá-las uma vez por ano. “Em agosto, quando nada acontece em Paris!” Três anos atrás, pouco antes de abrir a loja no Brasil, veio ao país com o namorado, o diretor de marketing da Lanvin, Alex Koo. Foram a um resort em Angra (RJ) mas, dois dias depois, arrumaram as malas e foram embora. “A praia era linda, deserta, mas não havia nenhum brasileiro. Não tinha o menor interesse em ficar ali”, diz.

“Se tenho uma boa ideia, ataco a geladeira. Quando não tenho, faço o mesmo”

Desembarcaram, então, no Rio, onde a história foi bem diferente. “Amei! Passava horas na areia em frente ao hotel, só olhando as pessoas. Foi uma experiência interessante: antes de viajar, tinha a impressão de que os brasileiros seriam os mais bonitos do mundo, com os melhores corpos. Mas, quando você chega à praia, vê que há gente linda, mas também gente normal. Só que isso não faz a menor diferença, porque todos se sentem muito à vontade com sua forma física. E é essa autoconfiança, na verdade, que faz o povo ser tão atraente”, reflete Alber, ele próprio fora dos padrões de beleza.

“Estou acima do peso. E sabe de uma coisa?”, pergunta, aos risos: “Se tenho uma boa ideia, ataco a geladeira. Quando não tenho, faço o mesmo. Toda vez que resolvo me exercitar, fico amigo do personal trainer e passo mais tempo batendo papo do que treinando. Olha, eu não fumo, não uso drogas, não bebo álcool, então… acho que tudo bem, né?”. Sem dúvida nenhuma, Alber.

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